
Olá, manfredinhos e manfredinhas. Primeiramente, devo me desculpar pela ausência. Estava tomando parte em aloprar gonzo-jornalisticamente o portal de notícias donde trabalho.
Segundamente, estou indo voyajar para as terras geladas do norte, onde deverei encontrar-me com uma moça inuit e casar-me, gerando trevinhas de olhos puxados que, quando minha pessoa estiver às épocas geriátrias, me colocarão em um iglu flutuante que vagará pela eternidade através das ilhas Rainha Elizabete e até o fim dos tempos.
Ou quem sabe não. Enfim, eu – Leonardo Trevas, também conhecido como Crézus Jisto, o Antecristo – irei levar um pequeno artifício tecnológico fantástico chamado netbook que proporcionará postagens atualizadas com regularidade sobre as andanças por Canadá e EUA. And there was much rejoice.

Sim, eu disse EUA. Eu, o antecristão e anti-estadunidense mais convicto vai conhecer as terras de Bammy Babe, Bush e John Lajoie. Mas só vou para criticar, diga-se de passagem.
Vamos ao post. Você leu o título. Eu odeio o São João. E não é ‘detesto’. Papai me dizia, quando eu era mais novo, para evitar o verbo ‘odiar’, então decidi utilizá-lo apenas para coisas realmente vis. Como esta quinzena de festas.
Aliás, como pode isso? Quize dias de festas incessantes! É um duplo carnaval, só que sem a putaria e a semvergonhice. Tem a cana e a música merda, sim, mas não é a mesma coisa. Poxa. Todo esse tempo é para comemorar o dia de São João – 24 e 25 de junho. Para mim, que moro ao lado de um pólo junino (Sítio da Trindade em Casa Amarela), é um verdadeiro inferno fazer qualquer coisa nessa época, quando marginais vagam pelas ruas e bêbados mijam na parede da sua casa. Sem falar a confusão sonora que é barulho do palco + auto-rádio de Hylux de playboy + FOGOS. Malditos fogos.
1) A festa de São João, assim como a maioria das comemorações cristãs, tem origem nas celebrações pagãs europeias às mudanças de estação. Uma maneira de agradecer ou pedir aos deuses uma boa colheita. São festas intensamente ligadas à relação entre o homem e a sua terra. Ok. O São João como conhecemos seria o equivalente cristão às festas de Beltane, onde – veja só – fogueiras (bonfires) são acendidas. Ok.
O problema é que a maioria (senão todas) das festas cristãs foram altamente alopradas nos tempos modernos. Mudanças que percebidas a olhos vistos, ergo: churrascolândia no domingo de páscoa, neurose consumista às vésperas do natal, total esquecimento do corpus christi (muitos nem se lembram o porquê do feriado), e Mastruz com Leite no São João. Ah, sim. E todos, sem exceção, regados à extravagância da gulodice alcoólica e bacanalesca.
Um reflexo da decadente e heteronormativa sociedade romano-apostólica-cristã-ocidental? Blah.
Depois dizem que sou eu que fico espalhando carpanos e gogojoulas por aí.
2) Comida. 92% dos nordestinos e 99,18% dos não-nordestinos AMAM os alimentos tradicionais do período junino. À base de milho. Eu gosto de milho. Mas TUDO com milho é pra se fuder. Sem falar nos nomes escrotos. Afinal, quem em sã consciência iria comer (literalmente) um pé-de-moleque? Écou. Em junho, só curto o amendoim cozido.
3) Forró. Ah, o for all. Se esse gênero musical fosse realmente para todos, Trevinhas estaria escutando Joezil da Putaquipariu em vez de good ol’ Megadeth neste exato momento. Mas veja, eu não sou um elitista que acha que música popular é de pobre e eles devem ser substituídos no mundo pela coleção de sapatos de Imelda Marcos. Respeito muito, e também curto, os fundadores roots do gênero, o que hoje em dia é chamado de Forró Pé-de-Serra. Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro foram gênios. Afinal, o forró de verdade está para o nordeste assim como o blues está para o delta do Mississipi. Agora não me faça engolir as atrações do São João da Capitá no Recife. Vejamos quais serão em 2010:
Geraldinho Lins (forró de playboy, toca na NOX)
Saia Rodada (estilizado genérico, cover do Mastruz com Leite)
Mastruz com Leite (veja acima)
Magníficos (veja acima²)
Victor e Leo (sertanejo??? ano que vem vai ser o Parangolé)
Aviões do Forró (Troca de cantor a cada seis meses. É a menos pior de todas. Vale o megahit ‘Não Pegue Esse Avião’
Calypso (Do caralho. Mas ainda prefiro a formação de 2004, quando Chimbinha tocou lado a lado com Eddie Van Halen e Marcus Miller em turnê por Finlândia, Tuva e Kievan Rus)
Em suma: musical e visualmente, os shows de música típica (?) nordestina viraram uma cópia safada da descaração e humilhação feminina do sudeste (procurar funk carioca no dicionário). Muita pagação de peitinho, clitóris saindo pela culatra da saia e cuzinho piscando.
3) Anarriê e Alavantu. Quadrilha. Camiseta de flanela grunge com remendo de mentira. Bigodim pintado. Xuquinhas fake. Terror do menino que se vê OBRIGADO a dançar mesmo não sabendo mover suas pernas para nada além do atrac-trac-trúget eventual durante as lutinhas power ranger.
4) Exploração comercial. Mesma vinheta na TV Jornal desde 19XX. Graça Araújo vendendo MINHOTOAH.

Ah. E não existe coisa mais mió para o Comércio do que São João + Copa do Mundo. E nada mais bizonho do que lantejoulas e bandeirinhas juninas verde-amarelas. OMFG.
5) Gente que ama as festas, e faz aquela cara de “comoassim vc numgosta de saum juaummmmmm////?” Só me lembram os crentes que torcem as faces – como à vista de uma mistura de jiló e cocôzinho mole com pedacinho de milho/grão de bico – assim que você diz que não tem religião: “Mas você acredita em deus né? Não?? Comassim vc num credita em deuxxxxxxxxx/////?”
Ah, o ócio. Me permite escrever essas baboseiras a torto e a direito. Um, sim. Eu realmente adoro clichês.
Sei que vão existir pessoas que vão discordar totalmente do meu texto, falar um monte de merda e provavelmente espernear à frente de uma parede feita de silício e pontos de luz, mas sabe como é. A nossa tão amada democracia que permite a você ser testemunha de Jeová ou crezús-jistoanista, me permite mandar às favas tudo o que eu quiser. Um baccio, e nãomeliga.
Até o próximo post!
Leo Trevas
P.S: Enquanto estava pesquisando, descobri uma coisa que fez arrepiar os cabelos. Abdjesus não só realmente existiu, quando foi um mártir cristão! CACETE! Para quem não sabe, Abdjesus = Jesus + Abdjúguens Flynaways.
P.S 2: O próximo post é sobre a bizonhice dos procedimentos burocráticos para tirar o visto americano.
P.S 2: Escrito ao som de Baroness – Blue Record e Megadeth – Rust in Peace. Num momento de ócio total misto de incompetência de funcionários do Diario de XXXXXXXX S.A.
5 Comentários
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Eu acredito que o São João tenha seus benefícios. Primeiro, existe o tradicional e não menos erótico ‘rala bucho’, que não perde muito do Carnaval. Depois, os cafuçús ganham ares culturais por, pelo menos, dois ou três dias. Como? Usando aquelas camisas com estampas xadrez. =) Nem tudo está perdido…
Ver um cafuçú com ares culturais só em uma época do ano.
Léo, meu irmão.. morri de rir deste post. Já tinha visitado o blog algumas vezes, mas agora não resisti e decidi comentar.
Concordo com vc em número, gênero e grau
Bjs,
Monica
de quem foi esse primeiro comentário?
tércio?
adorei o post, mas…
só cinco motivos para odiar o são joão?
deve ter bem uns 8456873456783 motivos u.u
Leo, Jon Lajoie é canadense =P.
São João = Beltaine…uahuhauha
Geraldinho Lins morava aqui no prédio, sujeito esquisito….estrela.
Ri muito com o texto. Uma crítica ácida, porém bem humorada.
e pensar que o são joão era minha festa favorita quando criança, na época em que eu me deliciava com 7 espigas de milho cozido ao mesmo tempo que corria do vizinho por ter estourado uma biribinha atômica dentro da fogueira dele…
hoje em dia, só o coco do sítio da trindade mesmo que vale a pena, nem milho eu tenho vontade mais de comer ;~
ps: cadê as PORRAS de posts do canadá? quero saber se vai valer a pena iniciar a turnê hiperespacial da Dàmblydóor Sodomitzd