Cobertura: Red Hot Chili Peppers (São Paulo, 21/09/2011)

Galera, podem conferir no site da Revista O Grito

Abraço.

Flea sensualizando

Reflexão num amanhecer

O planeta dá voltas em torno de si mesmo. O sol, ao longe, transmite sua intensidade através do cosmo. Aqui, nós somos escravos deste sistema, que existe há tempos imemoráveis. No espaço de tempo a que chamamos de dia, vivemos nossas pequenas paixões. Seja o que for, nosso ritmo natural será ditado pela alvorada e pelo anoitecer. É reconfortante, porque sabemos que apesar de tudo que possa acontecer com a humanidade, o planeta continuará o seu giro. Mas também, ao mesmo tempo, isso nos sufoca. É como se estivéssemos vendo repetidamente uma peça de teatro. Um dia é uma tragédia, no outro é uma comédia. Mudam os cenários, os atores, o texto, mas o palco continua sendo o mesmo. Os eixos a que estão presas as engrenagens não mudam.

É engraçado que, com o advento da vida moderna, acabamos passando mais tempo dentro de nossas próprias paixões – alimentando nossos egos com pequenas doses de indulgência – do que observando as engrenagens do planeta. Somos reticentes. Não queremos nos maravilhar. É como se fôssemos bons demais para isso.

Talvez a modernidade esteja nos corrompendo. É legal ser visto como cínico, cético, irônico e indiferente. Nós agimos assim porque no fundo somos frágeis como crisálidas. Vestirmo-nos com túnicas de aço e máscaras de LCD é uma maneira de proteger nossas existências da agressão contínua e diária que é viver em sociedade.

Eu cansei de sair de casa. Há momentos em que não tenho a menor disposição de sair. Por vezes isso se confunde com medo. Tenho medo que alguma coisa vá a acontecer comigo, ou com as pessoas que amo.
Pode-se argumentar: “você sente isso porque vive em uma das cidades mais violentas do país.” Sim, é verdade. Mas é algo além. Posso sentir esse tipo de sensação em qualquer metrópole.
Em Vancouver, no penúltimo dia em que fiquei na cidade, tive a sensação de que poderia morrer a qualquer momento. É como se a urbe quisesse me expulsar de suas entranhas. Em Nova York, senti isso o tempo todo. Há graus diferentes. Mas, geralmente, toda vez que chego a um lugar novo, o primeiro dia e a primeira noite que passo são terríveis. No dia seguinte, as coisas melhoram.

Pensamos que a vida em sociedade é a melhor coisa do mundo, e o simples pensamento de voltar à natureza é aterrador. Isso é porque chegamos a um nível de estranhamento em relação aos outros seres vivos tão grande, que já não saberíamos lidar com o nosso habitat original.
A metrópole é um útero corrompido. Cremos que estamos protegidos e seguros, mas é ela mesmo que nos mata aos poucos. Seus conformes sociais, suas regras, suas punições, seus riscos. A vida está muito perigosa. Estamos nos exterminando. Somos cada vez mais populosos, mas não damos conta disso, ao passo que nos fechamos dentro de nós mesmos.

Não é a toa que recorremos ao escapismo hedonista para tentar preencher o vazio existencial. Nunca farramos tanto. Uma orgia romana de antigamente não é páreo para uma festa open bar de hoje em dia. O banheiro de uma boate – a igreja de todos os bêbados –. é nada menos que um vomitorium.

Também somos adeptos de uma escatologia imediatista. É só ir a qualquer livraria. 2012. Era de Aquário. Apocalipse. Nomes diferentes para um mesmo e romântico fim para a nossa aventura.

E sim, somos românticos. Mas não como antes.
Nosso romance não é como o dos realistas, ou dos burgueses, ou qualquer outro. O espírito do tempo atual é ágil, rico, informado, cético, divertido – mas essencialmente, perdido em si mesmo. Vazio.

Precisamos olhar para fora, reconhecer o outro, e perguntarmo-nos: o que fazer?
Depois, basta agir.

E perscrutar as estrelas, a lua, o nascer e o pôr-do-sol.

Leo Trevas

Carpano II


Estávamos eu, Fernandinho, Pedro, Luciano e talvez Alegria. Voltávamos de alguma das incontáveis saídas ao Recife Antigo – é difícil lembrar. Tínhamos fome. Paramos o carro em uma das lanchonetes mais underground do Recife – e ressalto que aqui uso o sentido explícito da palavra: o Sport Burger da Avenida Norte é uma borracharia que, após o badalar das doze horas, vira refúgio para aqueles cuja noite ainda não teve fim.

Sendo sincero, o lugar é uma espelunca. O tipo de recinto que você nunca, jamais levaria uma boyzinha ou alguém da sua família para comer. É a decadência mesmo. Você chega lá com os teus amigos, pede o teu hambúrguer, paga a tua conta e vaza. A sensação que tenho quando estou lá é de que a qualquer momento pode aparecer um carro cheio de marginais – portando metralhadoras israelenses Uzi contrabandeadas pela fronteira com o Paraguai –, distribuindo balas freneticamente nos fregueses da lanchonete, que certamente estariam metidos com tráfico internacional de mulheres ou alguma coisa do tipo. Um drive-by dos infernos.

Então o incauto leitor pergunta-se, “por que diabos esses jovenzinhos lancham num lugar desses?.” Duas palavras, meritíssimo amigo.

X-Tudo R$ 3,99.

Acho que não preciso mais de argumentos, preciso?

Voltemos então aos fatídicos acontecimentos daquela noite. Sentamos na mesa amarelo-bile, que combinava com a decoração Exu rubro-negra, voltamos nossas atenções por alguns momentos ao DVD provavelmente pirata de Michelle Melo – vestida de rainha-libélula sensual do brega –, e chamamos a garçonete. Quando ela veio, algo de ruim tomou conta da minha mente. Influências malditas, da tenebrosa e mitológica Avenida Morte, na qual saltitou a Perna Cabeluda? Ou talvez uma pitada de fuleiragem misturada com falta de noção? Não sei. Tudo que as lembranças ébrias daquela noite me permitem lembrar foi a conversação que transcrevo a seguir.

Garçonete: Vai querer o quê?
Fernandinho: Um X-Tudo. Sem cebola.
Alegria: Um Sport Milho, com maionese.
Pedro: Um X-Tudo completão e um coca de um litro.
Luciano: X-Bacon, mal passado.
Garçonete: E tu, cabeludo?
Eu: Um Carpano.
Garçonete: Pra agora ou pra viagem?
Eu: Pode ser pra agora. Sem Gorla tá?
Garçonete: O.k.
Eu: E um X-Burger também.

Quando falei aquilo, meus amigos todos me encararam com um misto de espanto e indignação. Afinal, a mulher tá lá trabalhando, na dela, e vem um aloprador e mete o Carpano na história? Mas eu aposto que por dentro, eles estavam se segurando pra não rir. Era como uma daquelas cenas dos desenhos da Warner, que fica um diabinho no ouvido direito e um anjinho no esquerdo do personagem, cada um sussurrando seus argumentos – um apelando para a moral, o outro para a razão.

Mas quando um homem veste o gibão de couro da falta de noção e as botas do dane-se, ele está armado e é perigoso.

Dez ou quinze minutos depois, volta a garçonete à mesa. Bandejas na mão, lanches baratos para fartar as entranhas do jovem da Geração Y. Fernandinho, guitarrista virtuosi e cover de Axl Rose, é o primeiro a perceber, murmurando jocosamente:

-Olha o teu carpano aí, Leo…

Quando retiro a frágil película (saco) que protege o lanche, vejo, para o meu terror, que no lugar do Carpano há um cachorro-quente. Enquanto, isso a garçonete sai de fininho, fazendo cara de manolo.

E nada do meu X-Burger.

Bom, obviamente seguiram-se três ou quatro minutos de gargalhadas e olhares maliciosos dos meus “amigos”. Bem-feito, toma aí o teu Carpano.

Essa deve ter sido uma das últimas vezes que fui ao Sport Burger. Talvez por que meu brother Alegria viu o cozinheiro caçar e eliminar com a espátula uma baratinha travessa que sorrateiramente procurava restos na chapa donde assam os hambúrgueres. Agora frequentamos outras lanchonetes notívagas da Zona Norte. Há o Carlitos, que é quase tão barato e até onde eu sei, cucaracha-free. E tem o Norte Burger, conhecido por nós como “Moisés”, que é mais caro mas tem tevê de plasma e milk-shake.

Mas eu – até hoje sou sacaneado por ter pedido um Carpano do bem e recebido um Dogão do mal.

Leo Trevas
Jornalista Gonzo

Lelinha’s Podcast + Robertinho do Recife e a Metal Mania

BATE O PÉ, BATE A MÃO
A CABEÇA E O CORAÇÃO
BATE O PÉ, BATE A MÃO
A CABEÇA E O CORAÇÃO

WOW
HEY HEY É A METAL MANIA
HEY HEY É A METAL MANIA

Yo! Isso foi bom.
Nada como o cheiro de um Robertinho do Recife irado depois do café da manhã.

Ops, isso soou Gay.

Então galera! WAHOO

Poisé, os posts diários do Canadá foram pras cucuias. Mas é claro, ora. Enquanto vocês ficavam aí bebendo água de côco quente na Praia do Janga eu estava fazendo a festa com as gatinhas japonesas da Wreck Beach, em Vancouver. Se querem saber mais sobre essa praia, googlem. Mas já lhes digo que é do caralho.

VOLTANDO AO POST! WOW

HEY HEY EH A METAL MANIA
WOW

Sim, como era mesmo? Ah. Estou começando HOJE uma série de PODCASTS, sob a alcunha de Lelinha Pêa Biggest PodHits. É isso aê. Vou entrevistar todas as figurinhas de Recife e adjacências que merecerem a minha respeitável presença, de maneira gonzo-pingue-pongue. O primeiro desta vez é conhecido como Filipe Pimpão, toca guitarra na minha banda, a -Novacaine- e na Crabbleg. Aposto que vocês (quase) todos o devem conhecer. É uma figurinha fácil de Casa Amarela Town, e conhecido como o Nerd Pegador. Não é à tôa que ganhou a alcunha de ‘The Pimp’. Só na vibe WOW BABE TONITE.

Então, curtam à beça!

P.S: Robertinho do Recife, guitarrista virtuoso de nossa querida capital pernambucana, lançou nos idos de 1984 o disco ‘Metal Mania’. É simplesmente a maior obra prima trash que ouvi até agora neste ano. Vale a pena baixar e ouvir o hit ‘Metal Mania’, ou quem sabe também faixas como ‘Corações e Pernas’ e ‘Dança Lolita’. Melhor do que isso, só a novíssima carreira HEADBANGER FROM HELL do eterno descalço Luz Caldas. Ou não.
Dizem que ele pôs um all star agora.

Anauê!

Wither Canada (Parte Um)

Olá manfredinhos e manfredinhas. De fato, faz tempo que não escrevo. Sim, sim. Eu sei. Desde que deixei a Mauricéia rumo à terra dos iglus, caribus e xarope de bordo (vou dizer o que é isso mais tarde) que não troco uma sequer palavra com meus compatriotas e amigos – tirando as twittadas durante os jogos do Brasil e Argentina :(

Okay, hoje (04//07/2010) faz duas semanas que estou na América do Norte. Muita coisa se passou. Neste exato momento, estou em um trem de Montreal rumo a Nova Iorque, parado sabe-se-lá-porque há quase uma hora, com um lago enorme à minha esquerda e uma floresta à minha direita.
Cheguei em Toronto no dia 21 de junho, fui para Montreal no dia 30 (ambos dias de jogos do Brasil na Copa) e agora estou indo para a Grande Maçã, donde deverei ficar até o dia 12 de julho quando pegarei o avião rumo à Terra Prometida (também conhecida como Vancouver). No começo de agosto voltarei ao nosso querido país varonil e de belezas mil, lar de venerados cidadãos assim como Paulo Salim Maluf.

Vamos lá então. Rodando…. !

1.The Long and Winding Road

Passei quase vinte e quatro horas para chegar à Toronto, desde o Recife. Primeiro peguei um voo da TAM rumo à São Paulo que iria para Miami (olha que tronxura – tive de descer para depois subir. É quase a mesma coisa que alguém que mora em Casa Amarela passar no Janga para ter que ir à João Pessoa). Tudo bem, de qualquer maneira era mais barato. Aliás, o que não se sofre para pagar menos na hora de viajar?

Até aí tudo bem. Três horas e meia de voo. Mas, de repente, quando estou no corredor que leva àquela sanfona que dá direto no avião (não faço ideia de como isso se chame) algo bizarro, para não dizer assustador acontece.

Imaginem a cena: há cerca de 100 pessoas esperando para entrar no avião. Todos olham para a frente, só aguardando a sua vez, na maior paz e tranquilidade. Ma não. Quando as coisas vão muito bem sempre tem de acontecer alguma merda para balancear as energias Yin e Yang. Sim. É.

Fshh.

Barulho de Gás. Gritos alucinados vindos do corredor sanfonado. Pessoas se viram na minha direção. Elas correm. Estão Desesperadas. Demais pessoas vêem as outras correndo. Histeria. Comportamento histérico de Massa. Todos Correm Por Suas Vidas. Run to the Motherfucking Hills. Jesus Cristo. Caos. Fúria e Desilusão. Na mentes das pessoas, acende-se o letreiro ATAQUE TERRORISTA. Na minha, ilumina-se a placa WTF!!!.

Eu corro também, é claro. Na confusão, uma mulher cai na minha frente e mete a testa no chão, lindamente. Eu piso em uma das malas dela e, em minha mente paranoica, imagino meu pé direito estraçalhando o tornozelo da madame.

De repente, tudo para. As pessoas deixam de correr. Os que estavam lá longe começam a olhar para trás, desconfiados. Eu ajudo a mulher caída a se levantar, ainda torpe. Não eram os seguidores de Bin Laden atrás dos judeus Paulistas rumo à Miami fazer compras nos outlets Gucci e Versace. O que diabos foi aquilo, então?.
Uma porra de um Extintor de Incêndio.

Explicação: no corredor sanfonado as malas são verificadas, para ver se as pessoas não estão levando frascos ou frutas, legumes, armas bioquímicas, Gás Sarin e Dispositivos Termonucleares. No caso, o que houve foi que algum completo doente mental trouxe um Extintor de Incêndio Portátil, que obviamente não poderia ser levado para a aeronave. O sujeito foi reclamar, dizendo que o aparato estaria vazio. Não estava. Ele puxou a mangueira e deu no que deu. Ataque Bioterrorista no Aeroporto de Guarulhos…

Por causa disso, uma mulher bateu feio a cabeça no chão, e outras pessoas poderiam ter se machucado seriamente com o corre-corre. É algo a se pesar e medir. O quanto será que vale essa paranoia toda?. O esforço e o dinheiro gastos para prevenir algo que talvez não exista, ou que tenha chances ínfimas de acontecer. Fica a dica.

Depois disso embarquei no avião rumo a Miami, donde passei pouco mais de dez horas, dormindo, jogando Pokémon e vendo uns documentarios bestas no pczinho de bordo da poltrona.
Joguei papo fora com um brasileiro que mora na cidade já faz uns anos. O cara era todo maloqueiro – tipo aqueles manos paulistas – e escreveu até bilhetinho para aeromoça, na esperança de conseguir uma fodinha rápida.

Tive um bocado de apreensão em passar pela alfândega do Aeroporto. Eu sei que Miami é a maior porta de entrada de latinoamericanos – como eu – nos EE.UU., e por isso um monte de gente se ferra na imigração e tem de voltar pro Brasil, perdendo passagem e tudo o mais. Estou viajando sozinho, tenho vinte e um anos e sou cabeludo – e isso conta pontos negativos para mim.

Quando chego à sala da imigração, um lampejo me vem à cabeça. Half Life 2. Sabe quando você sai do trem e chega na estação da cidade toda dominada pelos alienígenas, com monitores passando filmes bizarros de boas-vindas, cheio de policiais Combine te espreitando?. Não foi muito diferente, não.

De qualquer maneira, consegui passar. O cara nem fez muitas perguntas, já que eu estava com destino à Toronto. Mesmo assim fica a impressão distópica. O cara escaneou todo os dedos das minhas mãos, e ainda tirou foto. Crézus Jisto!

Assim começou a empreitada. No próximo post, conto tudo o que aconteceu em Toronto e Montreal. Ave!

Mandaracú (ou 5 razões para odiar o São João)

Mandaracú

Olá, manfredinhos e manfredinhas. Primeiramente, devo me desculpar pela ausência. Estava tomando parte em aloprar gonzo-jornalisticamente o portal de notícias donde trabalho.

Segundamente, estou indo voyajar para as terras geladas do norte, onde deverei encontrar-me com uma moça inuit e casar-me, gerando trevinhas de olhos puxados que, quando minha pessoa estiver às épocas geriátrias, me colocarão em um iglu flutuante que vagará pela eternidade através das ilhas Rainha Elizabete e até o fim dos tempos.

Ou quem sabe não. Enfim, eu – Leonardo Trevas, também conhecido como Crézus Jisto, o Antecristo – irei levar um pequeno artifício tecnológico fantástico chamado netbook que proporcionará postagens atualizadas com regularidade sobre as andanças por Canadá e EUA. And there was much rejoice.

brave sir robin

Sim, eu disse EUA. Eu, o antecristão e anti-estadunidense mais convicto vai conhecer as terras de Bammy Babe, Bush e John Lajoie. Mas só vou para criticar, diga-se de passagem.

Vamos ao post. Você leu o título. Eu odeio o São João. E não é ‘detesto’. Papai me dizia, quando eu era mais novo, para evitar o verbo ‘odiar’, então decidi utilizá-lo apenas para coisas realmente vis. Como esta quinzena de festas.

Aliás, como pode isso? Quize dias de festas incessantes! É um duplo carnaval, só que sem a putaria e a semvergonhice. Tem a cana e a música merda, sim, mas não é a mesma coisa. Poxa. Todo esse tempo é para comemorar o dia de São João – 24 e 25 de junho. Para mim, que moro ao lado de um pólo junino (Sítio da Trindade em Casa Amarela), é um verdadeiro inferno fazer qualquer coisa nessa época, quando marginais vagam pelas ruas e bêbados mijam na parede da sua casa. Sem falar a confusão sonora que é barulho do palco + auto-rádio de Hylux de playboy + FOGOS. Malditos fogos.

1) A festa de São João, assim como a maioria das comemorações cristãs, tem origem nas celebrações pagãs europeias às mudanças de estação. Uma maneira de agradecer ou pedir aos deuses uma boa colheita. São festas intensamente ligadas à relação entre o homem e a sua terra. Ok. O São João como conhecemos seria o equivalente cristão às festas de Beltane, onde – veja só – fogueiras (bonfires) são acendidas. Ok.

O problema é que a maioria (senão todas) das festas cristãs foram altamente alopradas nos tempos modernos. Mudanças que percebidas a olhos vistos, ergo: churrascolândia no domingo de páscoa, neurose consumista às vésperas do natal, total esquecimento do corpus christi (muitos nem se lembram o porquê do feriado), e Mastruz com Leite no São João. Ah, sim. E todos, sem exceção, regados à extravagância da gulodice alcoólica e bacanalesca.

Um reflexo da decadente e heteronormativa sociedade romano-apostólica-cristã-ocidental? Blah.

Depois dizem que sou eu que fico espalhando carpanos e gogojoulas por aí.

2) Comida. 92% dos nordestinos e 99,18% dos não-nordestinos AMAM os alimentos tradicionais do período junino. À base de milho. Eu gosto de milho. Mas TUDO com milho é pra se fuder. Sem falar nos nomes escrotos. Afinal, quem em sã consciência iria comer (literalmente) um pé-de-moleque? Écou. Em junho, só curto o amendoim cozido.

3) Forró. Ah, o for all. Se esse gênero musical fosse realmente para todos, Trevinhas estaria escutando Joezil da Putaquipariu em vez de good ol’ Megadeth neste exato momento. Mas veja, eu não sou um elitista que acha que música popular é de pobre e eles devem ser substituídos no mundo pela coleção de sapatos de Imelda Marcos. Respeito muito, e também curto, os fundadores roots do gênero, o que hoje em dia é chamado de Forró Pé-de-Serra. Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro foram gênios. Afinal, o forró de verdade está para o nordeste assim como o blues está para o delta do Mississipi. Agora não me faça engolir as atrações do São João da Capitá no Recife. Vejamos quais serão em 2010:

Geraldinho Lins (forró de playboy, toca na NOX)
Saia Rodada (estilizado genérico, cover do Mastruz com Leite)
Mastruz com Leite (veja acima)
Magníficos (veja acima²)
Victor e Leo (sertanejo??? ano que vem vai ser o Parangolé)
Aviões do Forró (Troca de cantor a cada seis meses. É a menos pior de todas. Vale o megahit ‘Não Pegue Esse Avião’
Calypso (Do caralho. Mas ainda prefiro a formação de 2004, quando Chimbinha tocou lado a lado com Eddie Van Halen e Marcus Miller em turnê por Finlândia, Tuva e Kievan Rus)

Em suma: musical e visualmente, os shows de música típica (?) nordestina viraram uma cópia safada da descaração e humilhação feminina do sudeste (procurar funk carioca no dicionário). Muita pagação de peitinho, clitóris saindo pela culatra da saia e cuzinho piscando.

3) Anarriê e Alavantu. Quadrilha. Camiseta de flanela grunge com remendo de mentira. Bigodim pintado. Xuquinhas fake. Terror do menino que se vê OBRIGADO a dançar mesmo não sabendo mover suas pernas para nada além do atrac-trac-trúget eventual durante as lutinhas power ranger.

4) Exploração comercial. Mesma vinheta na TV Jornal desde 19XX. Graça Araújo vendendo MINHOTOAH.
MINHOTOAH

Ah. E não existe coisa mais mió para o Comércio do que São João + Copa do Mundo. E nada mais bizonho do que lantejoulas e bandeirinhas juninas verde-amarelas. OMFG.

5) Gente que ama as festas, e faz aquela cara de “comoassim vc numgosta de saum juaummmmmm////?” Só me lembram os crentes que torcem as faces – como à vista de uma mistura de jiló e cocôzinho mole com pedacinho de milho/grão de bico – assim que você diz que não tem religião: “Mas você acredita em deus né? Não?? Comassim vc num credita em deuxxxxxxxxx/////?”

Ah, o ócio. Me permite escrever essas baboseiras a torto e a direito. Um, sim. Eu realmente adoro clichês.

Sei que vão existir pessoas que vão discordar totalmente do meu texto, falar um monte de merda e provavelmente espernear à frente de uma parede feita de silício e pontos de luz, mas sabe como é. A nossa tão amada democracia que permite a você ser testemunha de Jeová ou crezús-jistoanista, me permite mandar às favas tudo o que eu quiser. Um baccio, e nãomeliga.

Até o próximo post!

Leo Trevas

P.S: Enquanto estava pesquisando, descobri uma coisa que fez arrepiar os cabelos. Abdjesus não só realmente existiu, quando foi um mártir cristão! CACETE! Para quem não sabe, Abdjesus = Jesus + Abdjúguens Flynaways.

P.S 2: O próximo post é sobre a bizonhice dos procedimentos burocráticos para tirar o visto americano.

P.S 2: Escrito ao som de Baroness – Blue Record e Megadeth – Rust in Peace. Num momento de ócio total misto de incompetência de funcionários do Diario de XXXXXXXX S.A.

O final de Lost

[SPOILER ALERT]

O final de Lost:

Sawyer, Kate, Claire, Miles, Richard Alpert e Lapidus escapam no avião da Ajira.
Desmond, Ben e Hurley se salvam também. Hurley é o novo Jacob, Ben vira o number two. Supõe-se que Desmond volta para casa no barco de Locke.

Locke/Man in Black é morto. Antes disso, Desmond desestabiliza a ilha tirando a ‘rolha’ que guardava a fonte de energia do lugar. Locke/Man in Black tenta fugir mas rola um showdown com Jack e o doutor vence, não sem antes levar uma peixeirada no bucho.

Jack consegue voltar à fonte de energia da ilha e colocar a ‘rolha’ no lugar, prevenindo a destruição da ilha. Depois, ele sai caminhando com dificuldade até deitar na floresta de bambus (onde começa a série) e morrer.

A Realidade Alternativa da sexta temporada é, na verdade, uma espécie de lugar metafísico onde os lostinhos se reencontram e resolvem suas vidas. Christian Shephard fala a Jack que aquele lugar é atemporal, e que eles estão todos mortos. Uns morreram antes, outros depois, mas morreram.

Algumas pessoas na net têm tirado onda, dizendo que o final é parecido com o de Caverna do Dragão. Eu achei digno. Eles não explicam tudo ipsis litteris, mas qual seria a graça se fosse assim? Todas grandes histórias têm pontas soltas. É isso que as faz realmente grandes. O que seria de Gregor Samsa se ele simplesmente descobrisse o por quê de ter virado um baratão?

Refletir sobre a fumaça do cigarro que paira no ar é sempre bom.

O eterno retorno

P.S: Esse final me lembrou muito o fim da série A Torre Negra, de Stephen King.

P.S²: Sabe qual é a música que não sai da minha cabeça?

A tout le monde, A tout mes amis
Je vous aime, Je dois partir
These are the last words i’ll ever speak
And they’ll set me free

A Cidade, Parte Um – Ou como parei de me preocupar e comecei a amar a Classe Média recifense*

cultura

É estranho como se dão as coisas. No Recife, vejo beleza e vejo decadência. Ambas, convivendo em um mesmo espaço – não como se houvesse uma vitrine que separasse as duas, mas como dois elementos, duas fleumas que se intercalam, impregnando os poros, as peles, os corpos, as ideias e as atitudes. Um grande exemplo:

Hoje fui no Paço Alfândega e adentrei a Livraria Cultura, donde são habitués grande parte da intelligentsia recifense. Ao mesmo tempo que vemos as galantes senhoras com suas sacolas não-retornáveis da fauna/flora brasileira compradas na rede de supermercados Pão de Almíscar, os belos rapazes estudantes do CAC (Centro de Artes e Carochetas) desfilando com seus livrinhos de Milan Kundera e seus filminhos de Jean-Luc Godard, as menininhas vestidas com seus aventais sensuais da década de 1940 – assim como as pin-ups, mas com menos de 2,3% do charme delas – gringos e turistas de outras regiões do país fazendo confusão por alguma besteira, senhores de idade beirando a demência e caminhando com dificuldade pelas escadarias de mogno canadense envernizado, além de jornalistas meio acéfalos do Diario de Pernambuco, S.A. A Diversidade lá está em alta (o dito estabelecimento é também ponto de encontro da turminha do babado cult). Tudo muito bonito, muito excepcional, muito foda e do caralho – como diria o amigo Luís Bôça.

A fina flor da sociedade pernambucana, que dantes tinha como point de rendez-vous os cafés art nouveau do centro e as galerias, depois a Rua do Sossego e a Livro Sete, agora tem o Bar Central, o Quintal do Lima e a Livraria Cultura.

Essas pessoas costumam se distinguir, na visão delas, dos colegas de estrato social que costumam frequentar Gravatá na Semana Santa, ir à Vaquejada em Garanhuns, ver show de Ivete no Fest. de Verão, sair pra pegar boyzinha(o) nos Jardins. Na realidade, pouco diferem dos frequentadores de Bar Central e Livraria Cultura. Talvez na forma, muito pouco provavelmente no conteúdo.

E gente, não precisa falar. Eu sou um hipócrita mesmo. Afinal, eu faço parte dessa dita intelligentsia da cidade. Eu vou pra Livraria Cultura. Não sou muito fã do Bar Central, mas costuma passar no Frontal, quando não em algum outro bar meio cult do Recife Antigo. Eu vou pro Cinema da Fundação quando estréia algum filme de diretor serbo-croata-armeno radicado no Curdistão e às vezes tomo o café caríssimo de lá. E sim, eu costumo presenciar o CINE PE, todos os anos.

Vulgo, a classe média alta e supostamente antenada da Cidade. Pós-comunista. Pós-MPB. Pós-sexual. Pós-tudo. E nada, ao mesmo tempo.

Mas o porquê de estar criticando o estrato social e a realidade na qual estou inserido? Apenas posso dizer que estou muito, mas muito cansado do Recife e das pequenas hipocrisias de sua elite.

Não vim defender o ‘vamos dar o fora daqui que o resto do mundo é melhor’. Isso é ridículo. Mas é que, como recifense-pessoense que vive na Terra de Nassau já faz treze anos, percebo as nuanças no comportamento da Cidade e de seu Povo, e preciso falar, senão morro.

Esse é o primeiro post de uma série sobra A Cidade e suas loucuras, bizarrices, belezas e desgraças. Um beijo no coração.

P.S:
(Pequeno momento Gonzo)

Amanhã realizarei meu sonho, no que provavelmente será o highlight, o topo, o cume e o planalto central da minha vida: EU INTERPRETAREI CRISTO. Sim, ele mesmo. O senhor dos senhores, que vive na noite e está sempre nos ajudando a achar o açúcar perdido. Mais detalhes na nossa próxima conversa.

Alavantú!

Leo Trevas

*Inspirado por Dr. Fantástico – Ou como parei de me preocupar e passei a amar a bomba (Dr. Strangelove, Or how i learned to stop worrying and love the bomb)

(Parte Final) Ódio e Decadência. Prazer Sublime. Revival de uma década perdida. Como sobrevivi ao show do A-Ha em Recife

Tentem visualizar a seguinte cena.

O Chevy Hall estava COMPLETAMENTE lotado. Isso mesmo. Minutos após eu pôr meu carro na vaga, descobri que ela era uma das ultimas que restavam no (ergh) estacionamento. Visto que a maioria do público, extremamente heterogêneo por sinal, deveria ser de classe média, foram todos dirigindo seus automóveis particulares. Estava um puta inferno de dante naquela porra de área que não é Recife nem Olinda, mas uma terra de ninguém sem belas pontes, água de coco, frevo ou brisa do mar – apenas ASFALTO e PREDA. Isso mesmo, PREDA.. Estava QUENTE PRA DEDÉU, as águas de março fechando o verão a promessa divina do meu coração que fluíam tinham apenas a divina serventia de ENCHER O SACO e aumentar a umidade do ar.

O público formado por pessoas de 16 a 50 e poucos anos era composto, à vista de meus óculos jornalisticos, principalmente de: homens heterossexuais abraçados ad aeternum com suas esposas, as mesmas completamente desinteressadas em qualquer coisa que não o respectivo celular-que-tira-foto, tiozões gays na Idade do Lobo olhando para tudo que passava com olhos de ASSASSINO DE GLAUCO E RAONI, metaleiros ranhentos de bandana-na-cabeça aparentemente mal colocados com suas camisetas do OVERKILL, tiazonas carentes puxando conversa com estranhos cabeludos e assustados com a real faceta da população recifense (ou seja, eu), e muitos, mas MUITOS, e quando eu digo MUITOS eh para pensar em uma densidade parecida com a da termodinâmica do inferno, ou seja: PLAYBOYS E PIRIGUETES DE UMA DENSIDADE POPULACIONAL JAPONESA CONVERSANDO EM GRUPOS-RODINHAS NO ABISMO ESCURO E FÉTIDO CHAMADO ÀQUELE MOMENTO DO ESPAÇO E DO TEMPO CHEVROLET HALL DO RECIFE. Pelo amor de Cristo, pensei: “alguem lembre de dizer que o show dos Amigos Sertanejos foi transferido para a NOX”.

Enfim, ainda precisávamos comprar a cerveja.

Ficamos eu e Alegria na grade do bar, onde engalfinhavam-se pelo espaço – nao havia filas – pessoas das mais diferentes idoneidades, cores e etnias. Alegrai-vos gritava ao homem que atendia, um senhor negro de aparência rígida usando óculos:

“pelo amor de deus, estou a dez minutos pedindo uma COCA ÁGUA CERVEJA TROCO PARA DEZ e você não me atende. Agora mesmo voce esta tratando de providenciar cinco ou seis latas de cerveja para uma ruiva não muito gostosa que por sinal é mulher, doravante chamou a sua atenção mais do que a minha alegre figura, enquanto eu – um pobre coitado estudante de computação da Federal, estou a implorar-lhe por COCA ÁGUA CERVEJA TROCO PARA DEZ e voce não atende, olha pra mim amigo, plisi helpi”

E o cara ignorou.

O monólogo se repetiu mais umas três ou oito vezes, não lembro, até que um magrelo que e estava mais ocupado atendendo a turba enfurecida do lado mais austral da muvuca do bar POR ACASO chegou perto de nos. E ele trouxe a COCA ÁGUA CERVEJA TROCO PARA DEZ. Mas bem, por algum deslize do acaso infinitesimal, ele esqueceu de cobrar a água. Too bad, Nós tambem esquecemos.

Enfim, era só o momento de fumar um cigarro imaginário enquanto dou uma sacada no ambiente (bleh),que apagam-se as luzes e a turba grita, assovia, esperneia. De repente, ali estão os A-ha. Uns coroas gatinhos, diga-se de passagem, mas nada que justifique um corre-corre fela da puta que me impede de discernir o bom e arejado lugar que meus amigos guardaram pelos minutos iniciais do show.

Após, terminou o show e fomos comer no Carlitos Burguer, eleito pela Veja Recife o melhor hamburgão com coca de 1L e fim de noite da cidade (caham). Deixamos Helena no cafundó do Judas, nos estressamos com Luciano que tentou se dar bem com a boyzinha mas levou o bom e velho meia-lua para frente mais soco na fuça, desaparecendo entre lagrimas no meio do show, e voltei para casa, retornando a minha emocionante atividade de responder às perguntas feitas por mim mesmo no Formspring.

Ok, baccio em todos e todas, fiquem espertos por mais Carpanos, Gogojoulas e jornalismo pseudogonzo neste mesmo batcanal. Amem, e Jesus Loves You.

Ah, sim.

Esqueci de falar DO SHOW.

Bem, esperava muito mais do tão falado “A-Ha em Recife”. O vocalista Morten estava com problemas de garganta que se agravaram apos o show em Brasilia, entao ele ficava naquele eterno loop filha da puta que acomete os vocalistas doentes que precisam cantar (eu sei muito bem o que é isso).

Canta-se as partes graves, canta-se uma parte mais aguda aqui e acolá, a maioria do tempo pede-se para a plateia cantar junto os refrões de tons mais altos, fica-se puto consigo mesmo e morgado no meio da música, a batida fraca pouco estigada de músicas fuderosamente pesadas e/ou aceleradas nas versões de estúdio como Cry Wolf e The Living Daylights não ajuda, pede-se para tecladista e guitarrista cantarem consigo, fica-se puto de novo, diz-se que o Brasil é foda, pega-se a bandeira nacional e faz-se graçaa para a platéia, sai-se do palco no encore, volta-se mais instigado e tocam-se as melhores músicas do show – em termos de interação, arranjo e instigação (Hunting High and Low, Sun Always Shines on TV, Take on Me), pede-se desculpas pela falta de voz, faz-se o agradecimento costumeiro e some-se do palco para embebedar-se em suas garrafas de Pernot Noir e Carpano (ou seria Carpaccio?) muito bem cortado no camarim.

No fim, poderia ter sido bem melhor, mas vale dizer que vi o A-Ha. Paguei apenas 50 contos, afinal. Poderia ter sido mais. Quem viu na Pista VIP se fudeu (uma outra absurdice do mundo moderno, assim como os estacionamentos – paga-se o triplo para ver o mesmo show), pois não assistiu a um evento de bom custo-benefício em relação ao ingresso. No mais, a produção está de parabéns, e os músicos também, pois sei que não é facil segurar a onda de um vocalista adoecido no meio de uma turnê enorme e que ainda nao acabou. Desejo boa sorte aos amigos cearenses, de cabeça chata ou não, no proximo show.

Ah, e um vai-tomar-no-cu-filha-da-puta do caralho para duas coisas: 1. o público em geral, bando de velhos sem graca que olhavam trôpegamente para os telões, abraçados com as esposas cheias de papa, celulite e cabelo oxigenado, que não conheciam nenhuma outra musica a não ser Take On Me e também não ajudavam porra nenhuma quando o vocalista Morten Ibrahimmovjich pedia para que a platéia instigasse. Em muitos momentos, no lugar onde eu estava, somente eu e mais dois gatos pingados cantávamos alto as letras das músicas, enquanto esses idiotas agiam da mesma forma que agiriam em um barzinho de merda com música ao vivo na Orla de Olinda. Porra, eu vim aqui para me divertir, tirar onda, have a good fuckin time with rock and roll, e vcs aí, em meio à masturbação mental?! Ah.. vai pedir um Carpano no boteco da esquina…

Um beijo e até a próxima. Juro que não vai demorar… Em minha mente, vejo Gogojoulas voando soltas e livres de suas jaulas da consciência moral… Em céus de brigadeiro…

Leonardo Trevas,
Jornalista Gonzo

(Parte 2) Ódio e Decadência. Prazer Sublime. Revival de uma década perdida. Como sobrevivi ao show do A-Ha em Recife


Após chegar quase atrasado para uma apresentação na qual eu deveria comparar analiticamente as revistas Playboy e VIP, na faculdade, vou saindo da Helltólica em direcao ao meu carro postiço (um Renault Clio ano 20XX) e encontro XXXX XXXXXX XXXXX XXX (nome retirado a pedido do entrevistado) e sua namorada, que me convidam para dar um dois no famoso ESTÁCIO, vulgo um pedaco de terra sem porra nenhuma que algum guardador malaco descobriu um dia e agora usa para cobrar 3 pilas à qualquer alma inocente que resolver em seu são juízo estacionar, mas que tambem nao esta nem aí se um grupo de estudantes pequeno-burgueses que não tem acesso ao DCE da oligarquia tambem pequeno-burguesa e White Trash da Universidade usa para fumar maconha, atras dos carros. Dois dado – mas só um peguinha de leve, Chama-me ao boulot o velho e bom amigo Pedro Henrique de França, que exclama: “estou saindo da Poli, vem me pegar aqui pra gente ir ao show do A-Ha”. Tiro meu carro postiço, dou um real ao guardador-malaco e, ouvindo pela segunda vez o disco ChaChaCha da ótima banda de rock instrumental e bahiana (nada é perfeito) Retrofoguetes, pego meu amado amigo e sua namorada Helen Baby na residencia desta última no Cordeiro, perto do GOE e do Parque de Exposições. Deixo-os na Topazio Tower – vulgo minha segunda casa, onde moram três partes para quatro de água dos meus amigos e tambem meu primo meio gonzo, Luciano – e volto a minha residencia, onde tomo banho, movimento meus intestino e detono o resto do chinês matinal.

Para encurtar a historia, em meia hora chegamos ao ex-Classic Hall, após pegar um caminho amaldiçoado que dava quase na casa da Bruxa de Palmares. Estamos lá, e há uma fila enorme, dantesca e gigantesca para entrar na porra do estacionamento. Puta merda, é inumano voce fazer as pessoas colocarem seus carros, montes de metal e plastico andantes, em uma area ENORME que poderia muito bem ser um parque ou um distrito da luz vermelha, sei lá, mas que tivesse uma função social, que não a de ESTACIONAR MONTES DE LATA E POLIMERO DE PETROLEO. Caralho, e eles ainda te cobram 3 pilas por isso. Ok, o Sacômetro já passando dos 50%. Depois disso a veia cava começa a pulsar e sangue jorra do globo ocular esquerdo, entao controle-se Leo.

Apos dona Helena reclamar do lugar onde estacionei (nao sou cachorro cacete, que passa meia hora escolhendo onde sentar – they may call me a dog, but i’m a wolf, i say), partimos, em meio à lama e ao caos de gente e carros enlameando mais gente e mais carros com suas rabiadas estrambólicas na lama (havia a pouco chovido as aguas de marco), receber propostas dubias para a venda de doces (aham) e ficar cinco minutos numa fila dantesca e gigantesca sem perceber que não era a bicha referente ao ato de entrar no recinto, e sim a de comprar ingressos… (vai ver não era nem isso. Ora, segundo a MIDIA os ingressos estavam esgotados havia duas semanas… vai entender..?).

Adentramos a porra do Chevy Hall. Ah. Lá encontramo-nos com: Gabriela Maranhão, ex-namorada minha e de meu primo; Lorena Tabosa, gatinha jornalista e adepta da filosofia BOYTOY; Luciano, meu primo que cresceu junto comigo – completamente bêbado; Rodrigo Cruz, companheiro de Dombodo Sodomized, e sua esposa – minha querida Cinthiane Barbosa, a Diva Gótica das Graças. Ok, todos óqueis, eu de Red Bull tomado (pois não podia dirigir manguaçado, non non, não depois daquele incidente desagradavel durante o Carnaval), fomos eu e Alegria, vulgo Dioguinho – my friend Higher than Heaven no sentido mais literal da palavra e Joy Boy – comprar coca-cola e água e cerveja para nossos amiguinhos.

(continua…)

Leonardo Trevas,
Jornalista Gonzo

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